1º Bimestre Carta (pessoal, do leitor ou formal) e curriculum vitæ (9F1B)
Após completar o Ensino Fundamental II, muitos de nossos alunos apresentam-se como aprendizes em várias empresas.
Aprender a elaborar um currículo e a escrever uma carta formal, além de ter conhecimento de como se dão as relações interpessoais através das cartas pessoal e do leitor constituem-se em conhecimentos importantes no início desse processo de inserção no mundo do trabalho. Respeitando esta fase da vida do adolescente, propõe-se neste primeiro bimestre o trabalho com os gêneros carta e curriculum vitæ.
O primeiro bimestre é reconhecidamente pequeno, principalmente por ser um momento de adaptação e conhecimento inicial da turma e por conter a parada do período de carnaval. A parti r dessas característi cas, as propostas com gêneros que sejam de aplicação mais prática são bem vindas.
No Dicionário de Gêneros Textuais, de Sérgio Roberto Costa (Ed. Autêntica, 2009), encontramos as seguintes definições para o gênero Carta:
“CARTA (...): tradicionalmente, pessoas, instituições, repartições mantêm correspondência por meio de cartas, que geralmente são enviadas via correio, portanto, fechadas num envelope, endereçadas e seladas. Ou seja, trata-se de uma mensagem, manuscrita ou impressa, dirigida a uma pessoa ou a uma organização, para comunicar-lhe algo. Conforme o espaço onde circula a correspondência, há vários tipos de carta que possuem uma estrutura semelhante, com a presença de alguns elementos básicos indispensáveis, como local e data, saudação, corpo, despedida e assinatura, ou específicos, como cabeçalho ou timbre, numeração,
endereço, além das anteriores, na correspondência comercial ou oficial. Quanto à interlocução, a carta vai ser mais ou menos formal, dependendo do tipo de correspondência: comercial ou familiar. Nesta, a carta familiar, cujo conteúdo gira em torno de temas especiais, geralmente é escrita em estilo simples, no registro coloquial, pois a interlocução se dá entre pessoas que se conhecem ou são parentes próximos. Naquela, ao contrário, como a interlocução geralmente se dá entre organizações,a carta comercial consti tui um “documento” formal escrito cujo conteúdo gira em torno do mundo dos negócios: compra e venda
de alguma coisa, promoção, cobrança, etc. O estilo do discurso se faz, então, num registro linguístico mais formal, a parti r do próprio vocativo e das formas de tratamento no corpo da carta.
Além desses dois tipos (familiar e comercial), há vários outros conforme a rubrica, e cada um tem estrutura e estilo próprios:
a) de leitor: geralmente de opinião (argumentativa), circula em jornais, revistas, já que o leitor a envia para manifestar seu ponto de vista sobre matérias que leu;
Atentando para o caso específico da carta do leitor, é importante o professor atentar para o fato de que o estudo deste gênero textual é uma ótima oportunidade para o trabalho da capacidade argumentativa de nossos alunos. Exercitar essa capacidade, fornecerá a ele subsídios para tornar-se um cidadão atuante na sociedade, entendendo seus deveres, requerendo seus direitos e acrescentando suas ideias para a constante construção do mundo. Ouvir, ver e ler o mundo; refl eti r e reorganizar seu pensamento para então contribuir com novas ideias é um caminho que se consegue com a argumentação. Sabe-se que o caráter apenas informati vo da linguagem não é o essencial. Hoje, abre-se espaço à interação enunciativa: o comportamento
dos interlocutores e suas estratégias discursivas e argumentativas são objeto de estudo, cada vez mais aprofundado , mostrando que atualmente valoriza-se a natureza pragmática da linguagem. A relação do homem com o mundo está pautada no uso argumentativo da linguagem – o mais valioso instrumento de interação.
Em relação ao estudo de gramática, a aplicação dos conceitos e o trabalho prático com o uso dos pronomes de tratamento, das expressões-padrão e dos verbos terão campo fértil no estudo do gênero cartas. Outro assunto bastante pertinente para o momento será a apropriação das regências verbal e nominal, o que viabilizará a apresentação das regras de realização de crase.
É desejo de todo professor que esse arcabouço teórico e prático venha a fazer parte real da produção textual do aluno. Pensando assim, propõe-se no bimestre a produção de cartas e de um currículo como uma das formas de avaliação de apropriação do que foi ensinado para o aluno.
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